Como Controlar a Ansiedade em Jogos de Tênis
Aprenda técnicas práticas para controlar a ansiedade antes e durante partidas de tênis. Respiração, rituais e reframe mental que funcionam.

Rafael Nadal, um dos maiores campeões da história do tênis, revelou em entrevista que já sofreu crises severas de ansiedade durante partidas. Coração disparado, perda de controle da respiração, angústia que impedia de pensar com clareza.
Se o Nadal sente isso, por que você não sentiria?
A diferença entre quem ganha e quem perde não é a ausência de nervosismo. É saber o que fazer quando ele aparece. Neste artigo, você vai aprender técnicas práticas que funcionam antes e durante as partidas, baseadas no que atletas profissionais usam e no que a ciência da psicologia esportiva já comprovou.
Por que Você Sente Ansiedade (e Por que Isso é Normal)
Seu corpo está se preparando para uma batalha. O problema é que não existe tigre, só uma bola amarela.
Quando você entra em quadra para um jogo importante, seu cérebro ativa a resposta de "luta ou fuga". Libera cortisol e adrenalina. Acelera o coração. Tensa os músculos. É o mesmo mecanismo que salvou nossos ancestrais de predadores.
A questão é que essa resposta não diferencia perigo real de perigo percebido. Para o seu sistema nervoso, um break point no terceiro set é uma ameaça.
A ansiedade em momentos decisivos é universal no tênis
Ansiedade vs Excitação: A Mesma Fisiologia
Aqui vai algo que poucos percebem: ansiedade e animação têm praticamente os mesmos sintomas físicos.
Coração acelerado? Sim, nos dois casos. Respiração mais rápida? Também. Adrenalina elevada? Igual.
A diferença está na interpretação. Quando você pensa "estou nervoso, vou errar", seu corpo reage negativamente. Quando pensa "estou pronto, essa é minha chance", o mesmo estado físico te ajuda.
Pesquisadores de Harvard descobriram que atletas que reinterpretam ansiedade como animação apresentam performance significativamente melhor. Não precisaram se acalmar. Só mudaram a forma de interpretar o que sentiam.
Vamos voltar a isso daqui a pouco.
Como a Ansiedade Afeta Seu Jogo
Dados mostram que 70% dos jogadores amadores relatam perda de desempenho causada diretamente pela ansiedade. A capacidade de concentração cai até 40% quando o nervosismo passa do ponto.
No Corpo
Os sintomas físicos são os mais óbvios:
- Tremores nas mãos (afeta principalmente o saque)
- Tensão nos ombros e pescoço
- Respiração curta e acelerada
- Sudorese excessiva nas palmas
- Sensação de "nó no estômago"
Um aluno meu tinha forehand consistente no treino. Em jogo de torneio, o braço travava. O swing encurtava pela metade. A bola que normalmente passava com margem ia direto na rede. Não era falta de técnica. Era o corpo respondendo à pressão.
Na Mente
A parte cognitiva às vezes é pior que a física — e é justamente aqui que entra o jogo mental:
- Pensamentos acelerados sobre o resultado
- Dúvidas sobre sua própria capacidade
- Ruminação sobre erros passados ("não posso errar de novo")
- Catastrofização ("se perder esse game, perco o set")
- Perda de prazer no jogo
No Jogo
O resultado prático é previsível:
- Jogadas conservadoras quando deveria atacar
- Erros de timing por tensão muscular
- Decisões ruins por falta de clareza mental
- Desistência de padrões que funcionam no treino
A síndrome do "treina como leão, joga como cordeiro". Você conhece isso?
5 Técnicas para Antes da Partida
O trabalho mental começa antes de pisar na quadra. Essas técnicas reduzem a ansiedade de base e te preparam para lidar melhor com a pressão que vai aparecer.
1. Respiração 4-7-8
Essa é a mais documentada e eficaz. Estudos de Harvard confirmaram que apenas três respirações nesse padrão podem interromper a resposta de luta-ou-fuga.
Como fazer:
- Expire todo o ar pela boca
- Inspire pelo nariz contando até 4
- Segure a respiração contando até 7
- Expire pela boca contando até 8
- Repita 3-5 vezes
O segredo está na expiração longa. Ela ativa o sistema nervoso parassimpático (o que te acalma). Faça isso nos 10 minutos antes de entrar em quadra.
A técnica 4-7-8: inspire por 4s, segure por 7s, expire por 8s
2. Visualização Positiva
Não é pensamento mágico. É treino mental.
Pesquisa de neurociência mostra que o cérebro não diferencia completamente uma experiência real de uma imaginada com qualidade. Quando você visualiza um saque entrando, ativa muitos dos mesmos circuitos neurais de quando executa de verdade.
Sente-se num lugar tranquilo. Feche os olhos. Imagine-se executando seus melhores golpes. Veja a bola, sinta o movimento, ouça o som do impacto. Não precisa imaginar a partida inteira. Alguns pontos bem jogados já fazem diferença.
3. Rotina Pré-Jogo Consistente
Djokovic tem suas garrafas alinhadas de um jeito específico. Nadal ajusta as roupas no mesmo padrão antes de cada ponto. Não é superstição. É ancoragem psicológica.
Quando você faz a mesma sequência de preparação toda vez, seu cérebro associa aquela rotina ao estado mental de "pronto para jogar". Crie a sua:
- Chegar X minutos antes
- Aquecimento específico
- Sequência de respirações
- Revisão mental do plano de jogo
A consistência é o que importa. A rotina em si pode ser simples.
4. Preparação Tática
Boa parte da ansiedade vem da incerteza. "Como vou jogar? O que fazer se ele atacar meu backhand? E se eu perder o primeiro set?"
Ter um plano reduz essa incerteza. Você não precisa de algo elaborado. Responda três perguntas antes de jogar:
- Qual é meu Plano A? (como vou construir a maioria dos pontos)
- Qual é meu Plano B? (o que fazer se o A não funcionar)
- Qual é o ponto forte do adversário que preciso neutralizar?
Quando a pressão apertar, você tem algo concreto para voltar.
5. O Reframe "Estou Animado"
Lembra da pesquisa de Harvard que mencionei? Aqui está a aplicação prática.
Quando sentir aquele frio na barriga antes de entrar em quadra, não tente se acalmar. Diga para si mesmo (pode ser em voz alta): "Estou animado."
Parece bobo. Funciona.
A razão: você não está pedindo ao seu corpo para mudar de estado (de alta ativação para calma). Está só mudando a interpretação. Seu corpo continua preparado, mas agora para uma oportunidade, não para uma ameaça.
O que Fazer Durante o Jogo Quando a Ansiedade Aparecer
Técnicas pré-jogo ajudam, mas a ansiedade vai aparecer durante a partida. Especialmente em momentos decisivos. Você precisa de ferramentas para usar em tempo real.
Rituais Entre Pontos
Nadal faz bouncing da bola o mesmo número de vezes antes de cada saque. Djokovic ajusta as cordas de um jeito específico. Você pode criar algo muito mais simples.
O objetivo é ocupar sua mente com uma ação estruturada, impedindo que pensamentos ansiosos tomem conta.
Minha sugestão para um ritual básico:
- Vire de costas para a quadra
- Duas respirações profundas
- Escolha do alvo para o próximo ponto
- Posicione-se
Isso leva 8-10 segundos. Cabe no tempo entre pontos. E funciona como um "reset" mental.
Rituais entre pontos funcionam como âncoras mentais
Foco no Processo, Não no Resultado
Quando você pensa no placar, está focando em algo parcialmente fora do seu controle. Isso amplifica ansiedade.
Quando você foca no próximo ponto, está no que pode controlar. Isso reduz ansiedade.
A técnica do "Ponto Zero": depois de cada ponto (ganhou ou perdeu), reseta mentalmente. O próximo ponto começa do zero. Não importa se você estava perdendo de 5-1 ou ganhando de 5-0. É um ponto novo.
Iga Świątek conta que sua psicóloga gritou da arquibancada numa partida difícil: "Foca só no próximo saque." Primeiro um, depois outro. Trouxe o foco para o presente e ela venceu aquela partida.
Autoconversa Positiva
O que você diz para si mesmo importa. Muito.
Quando o diálogo interno é "não posso errar", "vou entregar esse game", "ele está jogando melhor que eu", seu corpo responde com mais tensão.
Substitua por frases construtivas:
- "Próximo ponto"
- "Meu jogo"
- "Respira e executa"
- "Eu sei fazer isso"
Não precisa ser afirmações grandiosas. Frases curtas que te ancoram no presente funcionam melhor.
Respiração nos Changeovers
Os 90 segundos de descanso são uma oportunidade. Use-os.
Nos primeiros 30 segundos: hidrate-se, seque o suor, organize suas coisas.
Nos 60 segundos seguintes: respiração diafragmática. Inspire pelo nariz expandindo a barriga (não o peito). Expire lentamente. Isso baixa a ativação fisiológica e te prepara para o próximo game com mais clareza.
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Ansiedade Como Aliada
A Lei de Yerkes-Dodson, formulada há mais de um século, mostra que performance melhora com ativação até certo ponto. Depois, cai. É uma curva em U invertido.
Isso significa que você não quer eliminar a ansiedade. Quer calibrá-la.
Um nível moderado de ativação te deixa alerta, rápido, focado. Te ajuda a jogar melhor do que se estivesse relaxado demais. O problema é quando passa do ponto ótimo e vira tensão paralisante.
As técnicas deste artigo são ferramentas de calibração. Respiração para baixar quando está alto demais. Reframe para canalizar quando está no nível certo. Rituais para manter consistência.
Ansiedade não é sinal de que você é fraco ou não está preparado. É sinal de que a situação importa. E isso pode ser seu combustível.
A pergunta é: você vai deixar ela te controlar, ou vai aprender a usar?
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